BioPeixe.com

Bio Beixe

Tudo o conhecimento para o seu aquario

Categoria: Alimentação

Esta página teve 481 views
A Artémia salina, o alimento ideal para alevins

Artémia salina é o alimento ideal para alevins, já é a muito tempo que é reconhecido pela sua facilidade em o adquirir ou de fazer a sua criação.

Quando pretendemos fazer a criação de peixe, deparamos com uma dificuldade inicial, a escolha do alimento vivo para dar aos alevins. Quase sempre os primeiros alimentos são, os infusórios, mas a medida que os alevins vão crescendo, podemos os alimentar com pequenos “camarões de salina” recém-nascidos, da espécie Artémia salina. Os camarões desta espécie são um excelente alimento para os peixes, vivem em águas salgadas em que a concentração salina é muito elevada. Constituem uma das duas únicas formas de vida encontradas no Grande Lago Salgado do Utah.

Artemia salinaOs criadores de peixes de aquário devem a Alvin Seale, que foi diretor do Steinhart Aquarium, a descoberta de um processo de recuperação e secagem dos ovos deste camarão. Alvin Seale forneceu esse processo ao São Francisco Aquarium Society, que recolhia e vendia os ovos. Colocando esses ovos em água salgada, dá-se a eclosão, mesmo ao fim de cinco anos de conservação. Os alevins que ultrapassaram já a fase dos infusórios ou os que ao saírem do ovo são suficientemente grandes para poderem ingeri-los, estes são alimentados com os camarões recém-saídos.

A Artémia salina

Recomendo o seguinte método de obtenção de Artémia salina, que utilizo há muitos anos e que me permite fornecer diariamente aos meus alevins camarões recém-nascidos, com um mínimo de trabalho e de perda de tempo. Utilizo para o efeito dois aquários de 9 litros. Adiciono a um dos aquários 4,5 litros de água morna e já velha, na qual dissolvo uma chávena de sal grosso, uma colher de sopa de sulfato de magnésio e meia colher de chá de bicarbonato de soda. Coloco dentro do aquário um quarto de uma colher de chá de ovos de Artémia.

Os camarões desta espécie toleram muito bem as variações da salinidade da água. Saem do ovo em água salobra, em água do mar e até já aconteceu obter a eclosão num aquário de água salgada no qual metade da água se evaporou, pelo que a concentração de sal na água existente era duas vezes mais elevada. A maior parte das receitas recomendam que se deitem 6 colheres de sopa de sal para 4,5 litros de água. A água fica assim mais salgada do que a água do mar, que contém geralmente cerca de 150 g de sal para 4,5 litros de água. Apesar de os ovos eclodirem a densidades diferentes, a percentagem de eclosão vária de acordo com a salinidade da água. Obtive os melhores resultados com a fórmula atrás indicada. A temperatura da água é um outro factor que afecta o tempo de eclosão. A uma temperatura de 24 °C a eclosão dá-se no fim de 48 horas, a 21 ºC leva três dias e a 26,5 °C de 24 a 36 horas.

No dia seguinte preparo o segundo aquário exactamente pelo mesmo processo. No outro dia o aquário está cheio de Nauplii (nome por que são designadas as Artémia recém-nascidas). Coloca-se um pequeno foco luminoso numa das extremidades do aquário. Os Nauplii, que são fototrópicos, formam uma nuvem rosada junto da luz. Aplica-se então um lenço de linho sobre a boca de um boião de vidro de 4,5 litros e coloca-se em cima da borda do aquário um sifão constituído por um tubo de borracha de 0,5 cm de diâmetro. Uma das pontas do tubo deve ficar pendurada dentro do aquário, perto da luz e a cerca de alguns centímetros do fundo. A outra ponta deve ficar metida dentro do boião, encostada ao lenço.

Os camarões são aspirados lentamente e apanhados de encontro ao lenço, como a sucção é muito suave e a distância grande, a sujidade do fundo do aquário não era aspirada. As cascas dos ovos e os ovos que não eclodiam ficavam dentro do recipiente flutuante. Depois deita os camarões apanhados no lenço para dentro do aquário, despejei novamente para o aquário a água aspirada para o boião e acrescentei mais ovos. No dia seguinte o outro aquário continha já Anemias recém-nascidas que podiam ser aspiradas para outro boião pelo mesmo processo e, no outro dia, voltava ao primeiro aquário, onde se dera já a eclosão do segundo lote de ovos. Compensa-se a evaporação acrescentando água doce aos aquários, pois o sal não se evapora. Com o tempo a água fica muito suja, e tem de ser filtrada por um pano.

Convém, conservar a água o mais tempo possível em vez de a renovar, pois quanto mais antiga é a água, melhor se dá a eclosão dos ovos. Por vezes os principiantes, por não conhecerem a sua forma, não veem os camarões. É essa uma das razões pelas quais não aconselho o principiante a utilizar tabuleiros de esmalte para a eclosão dos ovos. Se bem que os camarões quando muito juntos sejam rosados, vistos individualmente têm uma cor acinzentada que não permite distingui-los claramente de encontro a um fundo sólido. Colocando porém um foco luminoso por detrás de um recipiente de vidro, podem ver-se contra o foco de luz, olhando de lado. Os ovos têm de ser preservados da humidade, que os estraga. O recipiente que contém os ovos deve estar hermeticamente fechado. Estes “camarões de salina” crescem muito depressa e, se não forem dados aos alevins imediatamente após terem saído do ovo, arriscamo-nos a que se tornem demasiado grandes para poderem servir de alimento aos peixes a que se destinam. É esta a razão por que insistimos na recomendação de que só se devem dar aos alevins muito pequenos Nauplii acabados de nascer.

Se bem que a Artemisa adultas sejam um excelente alimento para os peixes grandes, atingem cerca de 1,5 cm de comprimento, não é fácil criar quantidades suficientes para a alimentação de todos os peixes. Jack Muntzner, do Barret Park Zoo, tem conseguido criar grandes quantidades de Artémia. O sistema do Sr. Muntzner é simples. Suspendia sobre um grande aquário, com cerca de 135 litros e muito bem oxigenando, duas lâmpadas de 100 watts com reflectores metálicos. Os camarões eram alimentados com farinha de fava.

Os exemplares grandes eram apanhados com uma rede de malha larga, que deixava escapar os mais pequenos. Consegui também criar “camarões de salina” alimentando-os com levedura de cerveja em pó. Também se pode alimentá-los com a água salgada de um aquário exposto à luz até a água se tornar esverdeada. Os camarões atingem a dimensão de adultos em três ou quatro semanas. Depois de se ter conseguido obter os primeiros camarões adultos, não vale a pena acrescentar mais ovos à cultura, a menos que se retire grande número de adultos do aquário. Os camarões adultos acasalam-se e põem ovos com facilidade. Vêem-se frequentemente no aquário os casais nadando juntos. O macho tem antenas especiais, que servem para agarrar a fêmea pelo lado de trás. É nessa posição que se dobra para a frente para fertilizar os ovos que a fêmea contém. Os sacos dos ovos formam pequenas saliências brancas semelhantes a uma conta de um e de outro lado do corpo da fêmea. Sobrevivem durante várias horas em água doce, o que permite, fornecer aos alevins de uma única vez a dose diária de camarões.

Artemia salinaArtémia Congelada

No comércio da especialidade, tem a venda Artémia salina congelada para a alimentação dos alevins. Vem embalada em pequenos sacos plásticos contendo gelo seco. Uma vez que estes camarões não estão vivos, decompõem-se rapidamente. É portanto preciso fornecer pequenas quantidades de cada vez, para não poluir o aquário. Estes camarões congelados são geralmente adultos e portanto grandes de mais para os alevins pequenos. Este alimento tem ainda, a meu ver, um outro inconveniente, se a embalagem descongelar e for novamente congelada, os camarões desintegram-se e perdem o seu valor nutritivo. Quando se alimentam os peixes, deve portanto cortar-se apenas a porção que se vai dar de cada vez, para não descongelar o resto. Vendem-se também Nauplii congelados para a alimentação dos alevins.

 

Copeina guttata
Aponogeton Desertorum
Aponogeton Desertorum
O nosso grupo no Facebook
Aponogeton Desertorum
The Aquarium
Aqualon-2010-Janeiro-Fevereiro-Marco
Copyright © 1983- 2019 todos os direitos de autor reservado. Todas as informações e fotografias contidas nesta página não podem ser reproduzidas, mesmo parcialmente, sem o acordo do autor.
Uma paixão que já dura desde da década de 80, mais precisamente em 1983, o ano da descoberta do mundo da aquariofilia com o meu primeiro aquário de 60 litros, neste momento posso dizer que tenho um conhecimento médio/alto. Bio-Peixe Grupo no Facebook ou Facebook