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Categoria: Reprodução

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Como fazer criação de Anabantídeos, os construtores de ninhos de bolhas

Como fazer criação de Anabantídeos, nao é muito complicado, muitas vez ate parece ser ate simples, mas temos que ter noção que deveremos respeitar algumas etapas.

A maioria dos peixes que constroem ninhos de bolhas pertencem à família dos Anabantídeos, se bem que nem todos os Anabantídeos construam ninhos de bolhas e nem todos os construtores de ninhos de bolhas sejam Anabantídeos. Regra geral, o ninho é construído pelo macho, e consiste num aglomerado de bolhas de ar. De vez em quando é ajudado pela fêmea. O peixe engole ar, envolve-o com um líquido viscoso que contém na boca e solta-o lentamente para a superfície do aquário. É frequente verem-se algumas bolhas de ar junto dos cantos do aquário, sobretudo quando este contém Anabantídeos. O aquariofilista inexperiente pode julgar mal essas bolhas que constituem um ninho, mas quem já viu um ninho de bolhas de ar não pode fazer essa confusão. Um Betta de 5 cm chega a construir um ninho de 25 cm de diâmetro e de cerca de 1,5 cm de espessura.

 

criação de AnabantídeosAnabantídeos precisam de uma temperatura relativamente elevada e constante. Se bem que haja excepções, como o Macropodu opercularis (Peixe do paraíso), que pode sobreviver a temperaturas de 4.5 graus a maioria destes peixes prefere uma temperatura superior aos 23 graus. A temperatura ideal para a água do aquário de reprodução de Anabantídeos é da ordem dos 26 graus; é a esta temperatura que os peixes apresentam as cores mais vivas e são mais ativos. O Peixe do paraíso constitui ainda noutro aspecto, uma excepção à regra geral, na maioria dos casais de reprodução, o pai e a mãe colaboram na construção do ninho e nos cuidados de proteger os alevins. Não tentam devorá-los quando estes cresçam e deixam de precisar dos cuidados paternos, e procedam a uma nova desova e cuidam dos respectivos alevins enquanto os primeiros continuam a desenvolver-se no aquário.

Num grande aquário, de 200 ou 250 litros, podem juntar-se centenas de peixes de todos os tamanhos, que nadam de um lado para o outro enquanto os pais guardam os alevins numa série de ninhos agrupados num canto do aquário. Este peixe perde no entanto parte da sua popularidade como peixe de aquário comunitário, devido aos seus hábitos agressivos para com peixes de outras espécies, só pode ser mantido juntamente com peixes do seu tamanho ou maiores.

O mais conhecido de todos os Anabantídeos é o Betta splendens. No seu habitat natural este peixe tem um aspecto insignificante, a reprodução seleccionada permite no entanto obter exemplares de cores e barbatanas esplendorosas, embora só o macho apresente essas cores e essas formas. A fêmea é sempre insignificante. De vez em quando há excepções e os machos não apresentam as barbatanas e a cauda compridas que normalmente os caracterizam, regressando à aparência dos seus antepassados selvagens. Os machos desprovidos de barbatanas compridas dificilmente se distinguem das fêmeas.

Uma das maneiras de diferenciar os sexos destes peixes, quando têm barbatanas curtas, consiste na observação do seu comportamento. Os Bettas têm um comportamento hereditário muito ritualizado. Quando dois Bettas nadam um em direcção ao outro, a fêmea vira-se sempre de lado. É esta postura que permite ao macho distinguir a fêmea e comportar-se em conformidade. Quando é um macho que se aproxima, nada de frente, com as guelras abertas. É um desafio, e depois de uma dança ritual, começa a luta.

A preparação para o acasalamento é a mesma para todos os Anabantídeos

Os Bettas que estão a ser condicionados para a reprodução não podem ser mantidos num mesmo aquário, divide-se o aquário ao meio ou em aquários separados e próximos um do outro, em que os peixes dos dois sexos se possam ver. Se possível, devem ser postos em aquários separados, a uma temperatura de 24 graus. Dois dias antes de se juntarem os machos e as fêmeas deve elevar-se a temperatura da água para os 26 graus. O pH não parece afectar a reprodução. Os Bettas desovam em águas de pH compreendido entre os 6,6 e os 7,4. Estes peixes não podem ser condicionados com comida seca. Se bem que a fome os leve a aceitá-la, só podem atingir uma boa forma física se receberem também alimentos vivos ou um substituto adequado.

O macho começa a construir o ninho de bolhas, quando está em boas condições físicas, mesmo na ausência da fêmea. O ovipositor da fêmea, um pequeno ponto branco que forma uma protuberância visível entre o par de barbatanas ventrais. Torna-se mais proeminente à medida que a fêmea se apronta para a reprodução. Quando se junta no mesmo aquário um casal de Bettas aptos para a reprodução, os peixes assumem um comportamento nupcial muito específico. Podem juntar-se os peixes assim que estejam preparados para a desova. O criador experiente começará no entanto, por os colocar num mesmo aquário dividido em duas secções, de modo a que se vejam mas se não possam juntar, durante alguns dias, o que estimula o seu ardor sexual.

O Acasalamento

A excitação do macho quando vê a fêmea constitui um espectáculo muito interessante. O macho nada em direcção ao par com as barbatanas muito estendidas, as guelras abertas e as cores avivadas pela emoção. Se a fêmea está pronta para o receber, a sua cor intensifica-se também e aparecem-lhe no corpo linhas verticais claras, em ziguezague. Movendo apenas as barbatanas peitorais e mantendo as outras barbatanas rígidas, volta-se para o macho e executa uma espécie de dança ondulante.

O macho faz vibrar o corpo para exibir as suas cores e nada em direcção ao ninho. Se a fêmea não está pronta para a reprodução, a cor do seu corpo empalidece à aproximação do macho e as linhas escuras horizontais acentuam-se. Foge do macho, que a persegue furioso, tentando agredi-la com a cauda. Convém colocar no aquário de reprodução um maciço denso de plantas, onde a fêmea relutante possa refugiar-se.

De outra maneira pode ser morta antes que o criador tenha possibilidade de a tirar do aquário. Uma vez por outra, a fêmea muda de ideias e sai do maciço onde se escondera, assumindo as cores intensas e o comportamento indicativos da aceitação do macho. O macho nada com movimentos bruscos em direcção ao ninho e a fêmea segue logo atrás. Por vezes a fêmea percorre uma pequena distância atrás do macho e para. Nesse caso, o macho volta para trás e exibe-se novamente em frente dela, tentando persuadi-la a segui-lo.

Comportamento nupcial

Quando se dirige para o ninho, o macho vira-se por vezes de repente e ataca a fêmea, rasgando-lhe frequentemente as barbatanas. Esta desvia-se para o lado e espera que o macho regresse ao seu caminho, assumindo então novamente a sua posição atrás e um pouco abaixo dele. Este comportamento contrasta com o do macho quando a fêmea não o aceita. Nessa altura o macho persegue a fêmea de perto e com grande agressividade, não lhe dando tréguas.

A menos que ela consiga refugiar-se rapidamente num maciço de plantas, passa um mau bocado. Quando tudo corre bem, o macho para ao chegar ao ninho. Vira-se para a fêmea, desliza em direcção a ela e, envolvendo-a com o corpo, dá-lhe o seu abraço nupcial. Durante esse abraço as barbatanas do macho tremem de violenta emoção. Depois de ter abraçado assim a fêmea durante alguns segundos, deixa-a e desce em busca dos ovos libertados por ela e fertilizados durante esse abraço.

A fêmea flutua imóvel em direcção à superfície. O macho apanha rapidamente os ovos na boca e sopra-os suavemente em direcção ao ninho, envolvidos numa bolha de ar. Quando a fêmea recomeça a mover-se e a nadar em direcção ao fundo do aquário, o macho torna a envolvê-la com o corpo. Este processo repete-se durante várias horas.

Eclosão dos ovos

Depois de a fêmea ter libertado todos os seus ovos, geralmente ainda há um certo número de abraços improdutivos. Por fim a fêmea resiste ao abraço do macho e este furioso, persegue-a cheio de agressividade. Nesta altura tem de se retirar a fêmea do aquário, quando não o macho pode mutilá-la ou até matá-la. Após o desaparecimento da fêmea o macho comporta-se como um pai extremoso.

Fica de guarda abaixo do ninho, mantendo-o em boas condições, soprando novamente em direcção a ele, os ovos que caem e afastando os intrusos. E aconselhável deixá-lo em paz durante esse período. Quando são perturbados, os machos podem destruir o ninho e comer os ovos.

Uma boa desova de um casal de Bettas pode produzir 500 ovos. Acontece muitas vezes, sobretudo com jovens fêmeas, os primeiros abraços serem improdutivos. No entanto, e à medida que o macho vai repetindo o abraço, aparecem alguns ovos. Cada abraço produz em média 20 ovos. No caso de não se ter assistido à desova e de não se saber se o ninho contém ovos, deve estudar-se cuidadosamente a sua composição.

Os ovos são brancos e não são fácil detectá-los, mas um exame cuidadoso permitirá descobrir bolhas de ar brancas do mesmo tamanho das bolhas transparentes que compõem o ninho. São essas bolhas que contêm os ovos, e devem ser procuradas no fundo do ninho, que tem portanto de ser examinado pelo lado de baixo.

Ao fim de 30 horas e a uma temperatura de 26 graus os ovos começam a eclodir. Os alevins, que têm ainda o saco vitelino agarrado ao corpo, ficam pendurados no ninho em posição vertical. O fundo do ninho parece vibrar com o movimento dos alevins. De vez em quando um deles cai para o fundo do aquário, mas o pai, sempre vigilante, agarra-o na boca e torna a soprá-lo para o ninho. Durante esta primeira fase, os alevins não comem, alimentando-se do saco vitelino, que continuam a absorver durante as 36 a 48 horas seguintes.

Depois de o terem absorvido completamente, os alevins assumem uma posição horizontal, começam a nadar e abandonam o ninho. O pai deixa então que este se desfaça e tenta manter os alevins em cardume. Convém no entanto retirá-lo do aquário de criação assim que os alevins começam a nadar. Caso permaneça no aquário, perde ao fim de pouco tempo os instintos paternais que nele foram despertados pelo acto sexual e come os alevins que criou com tantos cuidados.

Alimentação dos alevins, assim que eles começam a nadar, os alevins precisa de um alimento de textura muito fina. Deve-se portanto fornecer-lhes várias vezes ao dia infusórios esverdeados ou uma infusão de gema de ovo. Depois dos primeiros dias de idade os alevins podem comer micro vermes e depois de dez dias dáfnias coadas por uma perneira mais fina ou artémia “camarões de salina” acabados de nascer. Dai em diante, crescem rapidamente. Como não crescem todos por igual, deve fazer-se uma escolha periodicamente para separar os peixes maiores dos mais pequenos, pois de outra maneira os que se desenvolvem mais rapidamente podem comer os mais pequenos.

O labirinto característico dos Bettas não existe ainda nos alevins e só começa a desenvolver depois dos dez dias de idade. O labirinto é uma câmara óssea situada na cabeça que permite ao peixe extrair o oxigénio da atmosfera. O Betta sobe à superfície e engole o ar e pouco depois expele pelas guelras o ar cujo oxigénio extraiu. Enquanto o labirinto está em formação, os alevins são muito frágeis, pelo que tem de se ter o maior cuidado para evitar a poluição da água.

A superfície da água tem também de ser mantida a uma temperatura constante. Deve pois colocar-se uma chapa de vidro em cima do tanque, que será equipado com um aquecedor controlado por um termóstato. A aeração deve ser moderada e, como já se sabe, não se pode utilizar filtros em aquários de criação cujos peixes estão a ser alimentados com infusórios.

Aquário de reprodução para construtores de ninhos de bolhas de ar de uma forma geral para todos os Anabantídeos

Os aquários para a reprodução destes peixes não requerem um equipamento complicado. O tamanho do aquário dependerá do tamanho dos reprodutores seleccionados. O Colisa lalia pode reproduzir em um aquário de 25 litros, os Bettas em um aquário de 5 litros; o Trichogaster leeri e o Trichogaster trichopterus em geral utilizam na reprodução, um aquário o mais espaçoso possível. A altura da água não deve exceder os 15 cm. Tem de se regular o aquecedor de maneira a manter essa pequena altura de água à temperatura adequada.

Não convém cobrir o fundo do aquário com cascalho, mas pode colocar-se a um canto deste um maciço de Anacharis ou de Myriophyllum, fixo com uma pedra ou com uma tira de chumbo. Alguns peixes construtores de ninhos de bolhas de ar, tais como o Colisa lalia e o Trichogaster leeri, e por vezes também os Bettas, gostam de incorporar nos ninhos as folhas delicadas de certas plantas, ou de prender o ninho a uma planta. É por essa razão que convém colocar sempre no aquário de criação fetos flutuantes e alguma Riccia. A água do aquário de reprodução deve ser água velha de outro aquário, que contenha se possível algum sedimenta aspirado do fundo de um aquário antigo. Este tipo de água contém sempre uma certa quantidade de infusórios, que servem de primeiro alimento aos alevins.

Caso não se dispor de um aquário com uma divisória para manter a fêmea separada do macho, pode utilizar-se para o efeito um boião de vidro de litro. Fazem-se algumas experiências para determinar qual a quantidade de água que se há de se introduzir no boião para o manter a flutuar dentro do aquário, com a abertura um pouco acima do nível da água. Pode também introduzir-se a fêmea no aquário dentro de uma caixa de vidro igual às que servem para o parto dos vivíparos.

Quando se procede ao condicionamento do casal de reprodutores, deve manter-se a fêmea fora da vista do macho e vice-versa, até que se dê o processo por acabado. Assim que o macho constrói o ninho, junta-se o casal. Se os peixes estão separados mas à vista um do outro, acontece frequentemente que a fêmea liberta prematuramente os ovos.

Relação entre a construção do ninho e a temperatura da água

Já se fizeram estudos experimentais da relação entre a temperatura da água e a construção do ninho pelos Bettas. Verificou-se assim que a temperatura da água tinha grande influência como factor estimulante da desova. Os Bettas mantidos a uma temperatura compreendida entre os 23 e os 25 graus não construíram ninhos, a 25,5 graus, construíram dois ninhos, a 26 graus sete; a 26,5  27 graus quatro e a 27,7 graus um.

Os números são eloquentes. A 26,5 graus, os machos podia fertilizar de dois em dois ou de três em três dias, e as fêmeas desovavam de sete em sete dias. A temperatura mais baixa, as desovas era menos frequente. Se bem que os Bettas possam reproduzir-se a partir dos quatro meses de idade, é preferível impedir que isso aconteça antes dos oito meses. A reprodução precoce retarda o desenvolvimento do peixe, que leva assim mais tempo a tornar-se num exemplar adulto perfeito.

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Practical Fishkeeping - 2016 - 09-Setembro
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Uma paixão que já dura desde da década de 80, mais precisamente em 1983, o ano da descoberta do mundo da aquariofilia com o meu primeiro aquário de 60 litros, neste momento posso dizer que tenho um conhecimento médio/alto. Bio-Peixe Grupo no Facebook ou Facebook