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Categoria: Reprodução

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Como criar e reproduzir os Escalares

Poderia-se dizer que criar e reproduzir os Escalares, é complicado, mas não é, tudo vá depender das condições do aquário.

Os peixes da família dos Ciclídeos têm geralmente um instinto paternal bastante desenvolvido. Se bem que a outros grupos de peixes que também cuidem dos filhos, é nesta família que encontramos o maior número de bons pais e mães. Todos os Ciclídeos de aquário cuidam dos alevins, se bem que nem todos o façam da mesma maneira. Um grande número dos Ciclídeos choca os ovos dentro da boca, pelo que são tratados em capítulo separado. A maior parte dos outros Ciclídeos os dois sexos cuida dos ovos e dos alevins. Nos Ciclídeos anões, é exclusivamente a fêmea que desempenha essa tarefa.

 

reproduzir os EscalaresEscalares são provavelmente os mais vulgares de todos os Ciclídeos de aquário. É praticamente impossível distinguir exteriormente o macho da fêmea. Quando se pretende seleccionar casais de reprodutores, criam-se num aquário seis ou oito Escalares juvenis. À medida que se desenvolvem, formam os casais. Para além da dificuldade que há em distinguir os sexos, a reprodução destes peixes implica ainda uma outra dificuldade, nem todos os peixes de sexos opostos estão dispostos a acasalar. Têm de se sentir “atraídos” um pelo outro.

Quando formam casais, os dois membros mantêm-se juntos a um canto do aquário. Colocam-se de frente um para o outro e executam uma pequena dança para trás e para diante, com as barbatanas abertas, movendo-se na maneira de fantoches. Esta dança é rematada por um “beijo”, durante o qual os dois peixes, unidos pela boca, executam uma espécie de “luta de amor”. À medida que estes acasalamentos se vão tornando mais frequentes, o casal começa a procurar um local para pôr os ovos. Esse local pode ser qualquer superfície lisa vertical ou inclinada.

Os Escalares desovam nas folhas de plantas como a Amazonas e a grande Sagittaria. Os criadores comerciais fazem geralmente, a reprodução dos Escalares num aquário vazio, de 75 litros, no interior do qual colocam um pedaço de ardósia de 25 a 30 cm de comprimento por 5 cm de largura, apoiado em posição inclinada de encontro à parede do fundo do aquário.

Pode substituir-se o pedaço de ardósia por um tubo de vidro opaco. Os Escalares desovam no pedaço de ardósia ou no tubo, que podem ser retirados com facilidade do aquário, juntamente com os ovos que contêm. De outra maneira os Escalares desovam em locais inesperados, tais como os ornamentos do aquário ou o vidro, e até os tenho visto desovar no tubo de borracha de 1,5 cm de diâmetro que conduz o ar à pedra difusora.

Depois de ter escolhido o local da desova, o casal limpa-o cuidadosamente, removendo todos os detritos que possam afectar os ovos. No caso de o aquário conter outros peixes, o casal de reprodutores defende com agressividade o sítio da desova, impedindo a aproximação de outros peixes.

Os Escalares podem reproduzir-se a partir dos seis meses de idade, mas os melhores reprodutores têm pelo menos dez a doze meses, idade em que o seu cumprimento é normal mente de 12,5 a 15 cm. Estes peixes devem ser condicionados com comida viva. Quando acasalam é para a vida toda, e não devem ser separados. Em condições favoráveis desovam a intervalos de duas a três semanas, a uma temperatura de 27,5 graus. Se forem mantidos em água mais fria a uma temperatura de 22 a 22,5 graus, a desova será menos frequente.

Os Escalares também são exigentes no que se refere ao pH da água, desova com mais facilidade se for de 6,8, além de que esse grau de acidez tem o efeito de impedir que os ovos sejam atacados por fungos. Os aquariofilistas experientes colocam sempre um pouco de musgo de turfa no filtro do aquário dos Escalares. Trata-se de um processo de aumentar a acidez da água, mas tem de se medir frequentemente o pH, para impedir que desça para valores muito baixos.

Um outro processo de aumentar o grau de acidez da água consiste em utilizar folhas de carvalho, meter um molho de folha em um boião de vidro cheio de água, acrescentando de vez em quando algumas gotas dessa solução que foi previamente coadas por um pano na água do aquário, para manter o pH da água ao nível desejado. O musgo de turfa ou as folhas de carvalho permitem obter o mesmo efeito, sem risco para os peixes.

A desova

A desova é iniciada pela fêmea, que se movimenta vagarosamente por cima do local escolhido, libertando uma enfiada de ovos. O macho segue-a de perto, fertilizando-os. Este processo repete-se até expelir um número de ovos que pode atingir os 500.

Os criadores comerciais tiram os ovos do aquário, depositando-os em tabuleiros de eclosão. Estes tabuleiros são de esmalte, pouco fundos e ventilados para que a corrente de bolhas de ar passe perto dos ovos, mas sem lhes tocar. Muitos criadores acrescentam à água dos tabuleiros uma solução de azul-de-metileno, para impedir a formação de fungos sobre os ovos (uma gota de uma solução a 1 % para 4,5 litros de água).

Se os seus Escalares desovarem inesperadamente num aquário comunitário, convém retirar os ovos, no caso de tal ser possível, tratando-os da forma que acabamos de indicar. Os pais dificilmente poderiam preservar os ovos e os alevins das bocas vorazes que os rodeiam. Será preferível retirar os ovos a mudar todos os outros peixes para outro aquário. Os pais têm um instinto que os leva a guardar os ovos, impedindo-os de serem comidos.

Mas se forem perturbados como acontecerá quando se fizer a tentativa de apanhar com uma rede os outros peixes do aquário, esse instinto pode ser superado pela excitação, que os levará a comer os ovos. Sobretudo se os peixes foram jovens que desovaram pela primeira vez, os peixes mais velhos perturbam-se com menos facilidade.

Vigiando os casais de reprodução, detectar-se-ão facilmente os primeiros sinais da desova, o beijo e a limpeza das folhas. Quando se observarem esses sinais, devem retirar-se todos os outros peixes no aquário, para que o casal possa desovar tranquilamente, ou então mudar os reprodutores para um aquário vazio, de 50 litros ou maior.

Depois da desova, um dos membros do casal permanece imóvel um pouco acima dos ovos, ventilando-os com as barbatanas peitorais, enquanto o outro fica de guarda, o macho e a fêmea vão-se revezando nessas tarefas.
A eclosão dos ovos constitui um espectáculo curioso.

De um dos lados do ovo desponta uma cauda e do outro, uma cabeça. À medida que este processo se dá, os alevins que formam enfiadas penduradas do local da desova movimentam-se incessantemente e fazendo ondular levemente a água. Os pais vão apanhando os alevins pouco e pouco na boca, soprando-os para cima de uma folha, a que aderem imediatamente.

Desenvolvimento dos alevins

Seis dias depois da desova começam a nadar. Nesta idade parecem-se mais com um Guppy do que com um Escalar. Com duas semanas de idade os pequenos Escalares começam a parecer-se com os adultos da espécie com cinco semanas, já se identificam perfeitamente. Os pequenos Escalares, tal como todos os peixes que levam bastante tempo a desenvolver-se, são relativamente grandes. Quando começam a nadar, podem ser alimentados com “camarões de salina” recém-nascidos e com micro vermes, e pouco depois podem começar a comer dáfnias coadas pela peneira mais fina ou Tubifex esmagado ou migado.

Passo a indicar uma maneira bastante segura de identificar o sexo dos Escalares adultos. No macho adulto a barbatana anal situa-se perto das barbatanas ventrais modificadas, a que se dá geralmente o nome de antenas. A barbatana anal parte de um ponto situado bastante perto das barbatanas ventrais, formando, um ângulo de cerca de 45 grau com as barbatanas peitorais. A barbatana anal da fêmea parte de um ponto distanciado cerca de 1,8 cm da barbatana ventral, formando, um ângulo de 90 grau com o corpo. Quase todos os Escalares pequenos se assemelham exteriormente às fêmeas Escalares.

reproduzir os Escalares

Uma outra diferença entre os sexos, que só se manifesta geralmente depois do acasalamento, é o ovipositor ou tubo de postura da fêmea, que é pontiagudo e se situa na parte anterior do corpo. Uma última observação acontece frequentemente que duas fêmeas se acasalem, ponham ovos e os guardem, comportando-se exactamente como se formassem um casal de sexos diferentes.

Como é evidente, estes ovos são estéreis, cobrindo-se de fungos ao fim de alguns dias. Examinando cuidadosamente os dois membros desse casal anómalo, verificar-se-á a semelhança entre os seus ovipositores, que os identifica como membros do mesmo sexo.

Doenças dos Escalares

Se bem que não tratamos das doenças dos peixes, não podemos deixar de nos referir a uma doença muito vulgar nos Escalares. De vez em quando estes peixes parecem fazer uma greve de fome, recusando todo o alimento. Nos primeiros estádios dessa doença precipitam-se para a comida e chegam mesmo a apanhá-la na boca, mas cospem-na a seguir. À medida que a doença se agrava, ignoram a comida.

Nos estádios finais mantêm-se imóveis a um canto do aquário, virados para a parede e com o corpo ligeiramente inclinado para cima. Imediatamente antes de morrerem, a cor do corpo torna-se mais intensa e as riscas verticais ficam muito pretas.

Pode impedir-se a manifestação desta doença colocando um pequeno pedaço de rede de cobre de 2,5 cm quadrados para cada 25 litros de água do aquário, nos aquários que contêm exclusivamente peixes desta espécie. Este tratamento não pode ser feito em aquários comunitários, pois muitos peixes são afectados pelo cobre. No caso de se colocar a rede de cobre em aquários comunitários, tem de se vigiar os peixes e, se estes parecerem afectados, a rede deverá ser retirada e a água parcialmente mudada. O cobre deposita-se nas guelras de alguns peixes os afectando.

Os sintomas dessa afecção podem ser minorados acrescentando uma pequena quantidade de sal à água do aquário cerca de uma colher de chá para cada 5 litros de água. Os próprios Escalares podem ser afectados pelo cobre contido na água do aquário. Pode mudar-se sem perigo os Escalares de um aquário cuja água contenha cobre para outro que não contenha, mas a mudança pode ser-lhes prejudicial. Quando se pretende introduzir um Escalar num aquário que contenha já há algum tempo um pedaço de rede de cobre, essa mudança deve ser feita gradualmente ao longo de um período de vários dias.

Chilodus punctatus
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Uma paixão que já dura desde da década de 80, mais precisamente em 1983, o ano da descoberta do mundo da aquariofilia com o meu primeiro aquário de 60 litros, neste momento posso dizer que tenho um conhecimento médio/alto. Bio-Peixe Grupo no Facebook ou Facebook