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O Acará-disco é a Amazónia

A Amazónia é considerada um dos biomas mais ricos de todo o planeta, possui uma das maiores biodiversidades conhecidas pela Ciência. Desta grande riqueza de espécies, destaca-se a Ictiofauna (fauna de peixes), como sendo a mais diversificada de ambientes de água doce do planeta. Somente no Brasil, são registadas cerca de 2.600 espécies de peixes que pertencem a famílias que são exclusivamente de água doce. Porém, pesquisadores estimam que possam existir aproximadamente 3.000 espécies de peixes somente na Bacia Amazónica. Com cerca de sete milhões de quilómetros quadrados, esse complexo sistema aquático representa a maior bacia hidrográfica do mundo sendo formado pelo rio Amazonas e um incontável número de outros rios, lagos e igarapés, riachos de águas claras, pretas e brancas.

Amazónia

Acará-disco (Symphysodon aequifasciatus, Pellegrin 1904

Quando pensamos na história da ocupação e colonização da Amazónia (além dos seus primeiros habitantes, os índios) é imprescindível associarmos aos rios, que apresentaram papel fundamental nesse processo. Na época eram e ainda hoje continuam sendo as vias de acesso aos diferentes locais. Essa dependência pelas vias fluviais resultou em uma íntima relação dos habitantes com os ambientes aquáticos, e entre essa relação está a exploração dos recursos pesqueiros.

De forma geral, a pesca tem um importantíssimo papel social, económico e cultural, já que dela são originados o suplemento de alimento. O peixe é a maior fonte de proteína animal dos amazônias a geração de trabalho e renda, além do lazer para milhares de pessoas das áreas urbanas e rurais da Amazónia. E por meio desta atividade que se explora o pescado para consumo, para lazer, pesca esportiva e para o comércio de peixes ornamentais.

Pelo que se conhece, a pesca de peixes ornamentais na Amazónia brasileira teve início em meados da década de 1930, sendo a atividade impulsionada principalmente pelos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia a partir da década de 1950, chegando até 1979.

Aproximadamente existe 20 milhões de exemplares de peixes que são exportados anualmente do Estado do Amazonas. Apesar desse crescimento, a atividade de exploração de peixes ornamentais em vida livre ainda mostra uma deficiência. Sendo muito lucrativa, mas somente para poucos envolvidos na produção, algumas poucas pessoas ganham muito, outras ganham muito pouco.

Além disso, há outros problemas; existe uma precariedade no armazenamento e no transporte, o que pode levar a altas taxas de mortalidade no decorrer do processo; há também uma grande carência de conhecimento (taxonómico, biológico e ecológico) sobre as espécies utilizadas. Tudo isso resulta em danos ambientais e económicos para o País.

 

De acordo com a Instrução Normativa n°13 (2005) do Ministério do Meio Ambiente, 180 espécies de peixes de água doce têm a captura, o transporte e a comercialização permitidas para fins ornamentais e de Aquariofilia. Dentre essas espécies está o Acará-disco (as espécies do género Symphysodon), um dos peixes ornamentais mais populares do mundo.

Na Amazónia brasileira, a região do rio Negro é a grande produtora de peixes ornamentais, tendo como sede da atividade o município de Barcelos. Há registros de que mais de 60% da renda municipal de Barcelos já foi gerada pela exploração de peixes de aquário.

Porém, essa pesca também existe em outros tributários amazónicos, como na região do baixo rio Purus, onde está situada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RDS-PP), uma Unidade de Conservação (UC) Estadual. Essa UC é da categoria das Reservas de Uso Sustentável, que permite a permanência das pessoas em seu interior, sendo desenvolvidas pesquisas, estratégias e planos de ação para que os recursos naturais sejam explorados de forma consciente e sustentável, assegurando a melhoria da qualidade de vida dos moradores locais e a conservação da biodiversidade, no presente e nas futuras gerações.

 

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RDS-PP) tem seus limites desenhados em cerca de 870.000 km2 e faz limites com a Reserva Biológica de Abufari (uma UC Federal de Proteção Integral, onde não é permitida a permanência de moradores), e com mais duas Terras Indígenas (TI), a TI Lago do Ayapuá (de etnia Mura) e a TI Itixi-Mitari (de etnia Apurinã). Essa conexão de áreas forma um contínuo (chamado de corredor ecológico) na Amazónia Central, com cerca de 1,5 milhões de hectares (área um pouco menor que o Uruguai!).

Um dos tipos de pesca que acontecem na região da RDS-PP é a pesca de peixes ornamentais, voltada principalmente para o Acará-disco (Symphysodon aequifasciatus Pellegrin, 1904). Essa atividade é incipiente na região, entretanto, carece de orientações técnicas. Observa-se também ausência de uma dinamização para cadeias produtivas sustentáveis e de certificação sócio- ambiental. Estas são preocupações urgentes, que necessitam ser tomadas no intuito de assegurar a conservação dos recursos naturais e promover a elevação da qualidade de vida das populações humanas residentes no baixo Purus.

A exploração de peixes ornamentais se vislumbra com um potencial econômico real para as comunidades locais da RDS-PP. Nesse contexto, o Instituto Piagaçu iniciou uma pesquisa em 2005 com o objetivo de avaliar o real potencial de uma prática de exploração organizada localmente. Servindo como alternativa económica e ecologicamente sustentável para as comunidades locais; para isso, foram desenvolvidos 2 Projectos de pesquisa.

O primeiro, intitulado “Ecologia da pesca e biologia reprodutiva do Acará-disco (Symphysodon aequifasciatus, Pellegrin 1904) (Perciformes: Cichlidae) na RDS Piagaçu- Purus, Amazónia Central: subsídios para o manejo sustentável de um recurso natural” (Link do Projecto) tem como meta gerar informações que possam subsidiar um plano de manejo sustentável da pesca de Acará-disco na RDS-PP, e contribuir para políticas públicas visando a exploração sustentável de peixes ornamentais amazónicos. Uma primeira etapa desse trabalho foi concluída e teve como objetivos:

  1. Descrever a pesca do Acará-disco, identificando as técnicas e táticas empregadas, bem como os grupos sociais envolvidos na cadeia produtiva (pescadores, atravessadores, etc.).
  2. Avaliar experimentalmente a abundância e a colonização dos Acarás- disco em atratores de pesca (galhadas), que são utilizadas na pesca local.
  3. Avaliar alguns parâmetros reprodutivos e populacionais da espécie, na época de sua máxima exploração (períodos de vazante e seca).

Também foram avaliadas 2 técnicas auxiliares utilizadas na pesca do Acará- disco:

  1. A perceção e quantificação de Acarás-discos através de mergulho em apneia, por pescadores locais; e.
  2. Os impactos imediatos da poda e/ou corte de ramos e arbustos de vegetação das margens dos lagos, utilizados na construção das galhadas como atratores. Os estudos foram realizados durante os períodos de setembro a novembro dos anos de 2006 e 2007.

 

O segundo, intitulado “Cadeia produtiva do Acará-disco (Symphysodon aequifasciatus, Cichlidae, Perciformes) e o potencial ornamental das espécies que ocorrem na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, Amazonas, Brasil.” está em andamento e tem como objetivos:

  1. Descrever diferentes fases envolvidas na exploração do Acará-disco que atualmente é realizada pelos comunitários (desde a coleta dos indivíduos, manuseio, estocagem e transporte até o centro comercial), analisando os pontos que falham e propondo orientação necessária para o aumento da eficiência.
  2. A busca por espécies potenciais como alternativa para a pesca de peixes ornamentais, considerando seus aspetos biológicos e garantindo assim a conservação das mesmas.

 

Ambos os trabalhos são uma parceria do Instituto Piagaçu e o Instituto nacional de Pesquisas da Amazónia INPA e contam com o suporte financeiro do Conselho nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Wildlife Conservation Society (WCS).

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Uma paixão que já dura desde da década de 80, mais precisamente em 1983, o ano da descoberta do mundo da aquariofilia com o meu primeiro aquário de 60 litros, neste momento posso dizer que tenho um conhecimento médio/alto. Bio-Peixe Grupo no Facebook ou Facebook