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Categoria: Reprodução

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Reprodução dos peixes da família dos Ciprinodontídeos

Os peixes da família dos ciprinodontideos ou carpas dentadas ovíparas, como são por vezes chamados, constituem um dos grupos de peixes mais interessantes para aquário.

A família dos Ciprinodontídeos tem vários métodos de reprodução como vamos ver mais adiante, mas vamos falar mais dos ovíparos.  A maioria destes peixes da família dos Ciprinodontideos, tem o corpo esguio e roliço, e com a barbatana dorsal e anal inclinada para trás. Quase todos os membros deste grupo se caracterizam por um método de postura invulgar, pois os seus ovos são bastante grandes, e são libertados durante um período de vários dias. Os diferentes membros desta família têm diversos métodos de postura e pelo menos uma espécie, o Jordanella floridae, cuida dos filhos. Este peixe constitui uma excepção ainda noutro aspecto, a sua preferência por uma água alcalina.

CiprinodontídeosA classificação dos peixes baseia-se na semelhança dos seus hábitos de reprodução. Os Ciprinodontídeos, esses peixes compridos, esguios e roliços, têm hábitos de reprodução semelhantes. Os seus processos de reprodução podem ser de dois tipos, exigindo os peixes de cada um desses dois subgrupos cuidados diferentes.

Muitos dos peixes desta família dos Ciprinodontídeos, tais como os Aphyosemion, os Pachypanchax, os Epiplatys e os Aplocheilus, são oriundos de pântanos ou águas pantanosas. No aquário preferem uma água velha e ácida (6,4 a 6,8 PH), na qual se adiciona um pouco de sal, uma colher de chá para cada 10 litros de água. Se bem que a água dos aquários de água salgada deva ser normalmente muito alcalina, a água salgada dos pântanos contém sempre grande quantidade de matéria vegetal em decomposição, o que a torna ácida. As soluções de sal comum (cloreto de sódio) são normalmente neutras.

Todos os peixes desta família dos Ciprinodontídeos, gostam de aquários de água velha, pouco iluminados e abundantemente plantados com plantas aquáticas de superfície. Sendo peixes de movimentos lentos, não convém mantê-los em aquários comunitários. Permanecem geralmente imóveis imediatamente abaixo da superfície da água, movendo as barbatanas peitorais, mas os seus olhos, bastante grandes e proeminentes, são muito observadores.

São carnívoros, e só a fome os pode levar a aceitar outros alimentos para além de comidas vivas em movimento, que vão buscar à superfície ou que ingerem quando descem na água. Se não os virem cair, deixam no fundo do aquário os animais que não nadam, tais como o Tubifex e os vermes brancos. Não costumam ir procurar comida ao fundo.

Os Ciprinodontídeos toleram mal as mudanças de água, as quais, no caso de serem necessárias, devem ser graduais. Preferem uma temperatura não superior aos 23,5 °C, que pode descer 2 ou 3 °C durante a noite, o que pode parecer actuar como um factor estimulante da reprodução. Tem criador que utilizam um método, muito simples, mas muito eficiente, na reprodução de todos os tipos de Ciprinodontídeos que depositam os ovos em plantas.

Acomoda em um aquário de 75 litros o máximo de quinze adultos, na proporção de três fêmeas para dois machos, colocando em cima do aquário uma lâmpada de 25 watts com um reflector. O aquário deve estar tapado, pois todos os peixes desta família dos Ciprinodontídeos, são excelentes saltadores. O fundo do aquário não deve ter cascalho. O fundo deve ser coberto com vários molhos de Myriophyllum estão presos ao fundo do aquário com uns pesos de chumbo, formados por 8 a 10 plantas cada um.

Recomendação: Os Carassius auratus , também conhecidos como Kinguios ou Peixe-dourado.

Todas as tardes, acende uma luz forte por detrás do aquário. Os ovos, que são quase transparentes e que os pais respeitam sempre, tornam-se assim visíveis, e a parte da planta a que o ovo aderião é cortado e retirado para um recipiente de vidro, onde se faz a eclosão. Se bem que utilizo sempre o Myriophyllum, muitos outros criadores preferem o Nitella, pessoalmente, já utilizei com êxito relva sintética.

Quando se junta num aquário um grupo de peixes da mesma espécie, a desova é contínua. A fêmea põe ovos durante cerca de duas semanas, descansando em seguida durante outra semana. É por essa razão que o número de fêmeas deve ser superior ao dos machos. Quando a fêmea não reage à exibição do macho, este não insiste, virando-se para uma outra fêmea que passe. Os machos não precisam de períodos de repouso.

Quando a fêmea aceita as suas solicitações, segue-o até ao maciço de plantas, onde ambos escolhem um local apropriado para a desova. Param então os dois ao mesmo tempo, como se estivessem combinados, colocam-se um ao lado do outro e curvam os corpos, paralelamente, em forma de “S” deitado. Ambos tremem de emoção. Endireitam-se então novamente a fêmea expele os ovos. Estes estão providos de filamentos pegajosos que aderem à folhagem. Por vezes a fêmea põe dois ou três ovos por este processo, e depois disso desinteressam-se um do outro, afastando-se. Daí a pouco o macho tenta seduzir outra fêmea.

A incubação dos ovos é demorada e o período de tempo necessário depende da temperatura da água. Quanto mais elevada for a temperatura até um máximo de cerca de 26,5 °C, mais depressa se dará a eclosão. Uma temperatura demasiado elevada pode no entanto matar os ovos ou enfraquecer as crias. Registos da reprodução de Aphyosemion australe mostram-nos que os ovos eclodiam ao fim de oito dias a uma temperatura de 27 °C, mas que a 23,5 °C precisavam de um período de incubação de doze a catorze dias.

Recomendação: Reprodução do Brachygobius e do Gasterosteus aculeatus.

Dado que os ovos são postos em dias diferentes, os alevins saem também do ovo com os mesmos intervalos de tempo. Estes peixes são tão carnívoros que um alevim com sete dias pode tentar comer os irmãos mais novos. Têm portanto de ser criados em recipientes de cinco litros cheios de água ácida extraída de um aquário que esteja a uso. Estes recipientes podem ser parcialmente submersos num aquário grande ou noutro contentor de grande capacidade.

Em vez de se aquecer separadamente cada um dos recipientes, aquece-se apenas a água do contentor, mantendo-a à temperatura desejada. Os recipientes devem receber muito pouca luz, pois um excesso mata os ovos. Colocam-se no mesmo recipiente os ovos recolhidos num período de três dias, tapa-se, usa-se o seguinte, e assim por diante. Podem encher-se tantos recipientes quantos o criador tiver possibilidade de acomodar.

Os alevins nascem com um pequeno saco vitelino agarrado ao corpo e são bastante grandes quando saem do ovo. São suficientemente grandes para poderem comer camarões de salina acabados de nascer e micro vermes como primeiro alimento. Crescem rapidamente e devem ser transferidos para condições mais espaçosas quando começam a ficar apertados no recipiente original.

É também necessário fazer uma selecção por tamanhos, pois uns crescem mais depressa do que outros. As várias espécies de um mesmo género cruzam-se espontaneamente. É talvez por essa razão que nem sempre é fácil identificar as diferentes espécies de características muito semelhantes.

Alguns peixes deste grupo reproduzem-se embora com a mesma frequência e pelo mesmo processo que acabámos de descrever, não depositam os ovos nas plantas, mas sim no sedimento de um aquário antigo. São os chamados “peixes anuais“. Vivem em vales ou lagos pouco profundos das regiões tropicais. Os adultos depositam os ovos na lama, quando a água começa a evaporar-se na estação seca, quando os lagos secam completamente, os peixes morrem. Os ovos enterrados na lama sobre vivem, dando origem a novos peixes quando as chuvas de Outono enchem uma vez mais os lagos.

A temperatura exerce sobre os ovos uma influência oposta àquela que referimos para os ovos dos peixes deste grupo que desovam nas plantas. Ou seja, quanto mais elevada for a temperatura, mais longo será o período de incubação. Temos de nos lembrar que no habitat natural destes peixes os ovos devem permanecer adormecidos durante os verões muito quentes.

Os criadores alemães praticam um processo de reprodução destes “peixes anuais”, tal como o Cynolebias bellottii, que lhes permite alcançar uma elevada percentagem de êxitos. Os pais são separados e condicionados durante duas a três semanas. Desovam então num aquário cujo fundo está recoberto com uma camada de lodo de vários centímetros de altura. Por vezes o macho, ou os dois membros do casal, parece experimentar a consistência do fundo.

Depois de evoluírem durante algum tempo lado a lado numa dança de amor, o macho faz o pino de repente e enterra-se em saca-rolhas na lama, escavando assim uma depressão. O casal paira seguidamente sobre essa cavidade, deixando cair o ovo lá dentro. Nalguns casos o macho tenta tapar o buraco, utilizando para esse efeito a cauda e a barbatana dorsal. A lama mole cobre de toda a maneira o ovo, tapando naturalmente o buraco.

Ao fim de uma semana retiram-se os reprodutores, baixa-se 2,5 cm o nível da água e depois volta-se a baixar até ficar à altura da areia. Tapa-se a areia do fundo do aquário com uma serapilheira ou uma folha de papel mata-borrão húmida, para a não deixar secar. Ao fim de quatro a seis semanas eleva-se gradualmente o nível da água. A temperatura ideal é de 23,5° C. Uma temperatura demasiado elevada inibe o desenvolvimento do ovo.

Os cuidados a ter com os ovos e com os alevins são os que indicámos já para os outros membros da família dos Ciprinodontídeos. O crescimento dos alevins é rápido, como não podia deixar de ser em peixes que vivem menos de um ano. Mesmo quando alojados em aquário em condições ideais, estes peixes não vivem mais tempo, começando a certa altura a morrer.

Apesar de todas as suas características indesejáveis, tais como a agressividade, a tendência para se esconderem e o facto de necessitarem de cuidados especiais, estes peixes apresentam muito interesse para o aquariofilista, pois muitos deles incluem-se entre os mais belos peixes de aquário de água doce que podemos fazer a reprodução. As suas escamas refractam a luz, brilhando como jóias vivas e coloridas. Os machos têm o exclusivo das cores vivas, sendo a aparência das fêmeas insignificante.

As maiorias das fêmeas do género Rivulus caracterizam-se pelo ocellus, uma marca preta em forma de olho situada na parte superior da base da cauda. Alguns dos membros desta família têm tendência para roer as barbatanas dos outros peixes. Quando não são capazes de engolir um animal inteiro, não lhe tocam. Não podemos no entanto subestimar as suas capacidades, pois caracterizam-se geralmente por bocas grandes, onde cabem peixes de um certo tamanho.

Recomendação: A reprodução do Néon (Paracheirodon innesi).

Oryzias latipes

Este peixe difere da maioria dos outros ovíparos, na medida em que os ovos não são libertados assim que saem do ovipositor da fêmea. O macho aproxima-se da fêmea com as barbatanas estendidas e descreve movimentos laterais, como é típico nos Ciprinodontídeos, os dois membros do casal postam-se lado a lado, com o corpo em forma de “S”. E nessa posição que a fêmea liberta os ovos, que são fertilizados. Estes ficam retidos num saco membranoso que adere ao ânus da fêmea.

Quando esta nada entre as plantas, o saco desprende-se e os ovos, munidos de filamentos pegajosos, aderem à folhagem. O saco pode conter dezassete ou dezoito ovos fertilizados. Tal como acontece em relação a todos os Ciprinodontídeos, os ovos amadurecem a intervalos no interior do corpo da fêmea. A postura pode ser contínua durante um período de semanas ou meses, com pequenos períodos de repouso.

O Oryzias não é um peixe tropical, mas de águas temperadas. Vive a temperaturas compreendidas entre os 4,5 e os 32° C. A temperatura ideal para a reprodução será de cerca de 21 ºC. A essa temperatura a eclosão dá-se ao fim de onze dias. Os alevins que são bastante grandes podem comer grandes infusórios, micro vermes e camarões de salina recém-nascidos.

Existem dentro da espécie umas variedades de diferentes cores. Se bem que as cores deste peixe não sejam notáveis. O Oryzias parece um Brachydanio albolineatus desbotado, trata-se de um peixe com um certo interesse para o amador. É robusto e muito menos agressivo do que a maioria dos outros membros da sua família. Recomendamo-lo ao aquáriófilista inexperiente, pois é fácil de se conseguir a sua reprodução, cujo processo é muito interessante. A identificação dos sexos é simples. A barbatana dorsal do macho é mais comprida e dentada e a anal mais larga.

Em artigo publicado na revista inglesa The Aquarist and Pondkeeper, descreve o processo de reprodução do Aplocheilichthys mcrophthalmus, que é semelhante ao Oryzias Iatipes. Os ovos ficam agarrados ao corpo da fêmea, desprendendo-se quando ela passa entre as plantas. O artigo não refere o processo de fertilização. A incubação levava de dez a catorze dias. A temperatura era de cerca de 24 °C e o pH do aquário de 8,0. O peixes Jordanella floridae é o único Ciprinodontídeo ovíparo que cuida dos alevins.

Constitui também uma excepção em outro aspecto, o de preferir uma água alcalina, de pH igual a 7,5. Convém adicionar à água do aquário de reprodução uma certa porção de água salgada, na proporção de cerca de 5 litros de água salgada para 25 litros de água doce. O Jordanella tolera bem as descidas de temperatura. Aconteceu que alguns Jornadella tolerar uma temperatura de 7 °C, sem que os peixes sofressem com isso. A temperatura inferiores a 23,5 °C, os peixes não exibem as suas mais belas cores, nem tão-pouco se reproduz.

O processo de reprodução é o seguinte. O macho escava uma pequena depressão no cascalho ou entre as raízes das plantas. A postura é feita ao longo de vários dias e os ovos são guardados pelo macho. A fêmea deve ser retirada do aquário. Os alevins saem do ovo ao fim de cinco ou seis dias. Dado que os Jordanella são omnívoros e precisam de grandes quantidades de alimentos de origem vegetal, convém dar aos alevins, algumas algas ou um pouco de água esverdeada.

Pode fornecer-se-lhes também uma infusão de gema de ovo, camarões de salina recém-nascidos e Cyclops. As algas podem ser substituídas por espinafres cozidos e migados. Os sexos distinguem-se pelas cores vivas do macho. A fêmea apresenta um ocellus preto na parte posterior da base da barbatana dorsal.

Trichopodus trichopterus
planta aquario Potamogeton gayi
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Practical Fishkeeping - 2016 - 04-Abril
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Uma paixão que já dura desde da década de 80, mais precisamente em 1983, o ano da descoberta do mundo da aquariofilia com o meu primeiro aquário de 60 litros, neste momento posso dizer que tenho um conhecimento médio/alto. Bio-Peixe Grupo no Facebook ou Facebook